Trabalho de Grupo - I

 

· Da leitura do texto de Maria do Céu Roldão - Currículo e gestão das aprendizagens: as palavras e as práticas (2000). (Dezembro)


Roldão começa por salientar a mudança de paradigma em curso: a passagem de um ensino restrito, homogéneo e centralizado, para um ensino abrangente, massificado e descentralizado.

Segue-se uma clarificação do conceito de currículo:

Primeiro, enquanto construção social - é o conjunto de aprendizagens socialmente reconhecidas como necessárias para a integração das pessoas numa determinada sociedade, num determinado tempo. Hoje em dia, «o currículo/escola têm como justificação proporcionar certas aprendizagens a todos porque a todos vão ser precisas» (p.11).

Segundo, opondo currículo à ideia de um conjunto de unidades, módulos ou disciplinas. Não é isso que define currículo, mas sim a natureza das aprendizagens que se julgam necessárias. Essas mesmas aprendizagens são de muitos tipos e estão a passar por uma transformação.

Quais são, hoje, as aprendizagens necessárias?

· saberes disciplinares: disciplinas científicas, a matriz cultural, a necessidade social e de passagem dos saberes produzidos antes de nós.

· cruzamento de saberes: trabalho investigativo interdisciplinar, competência e capacidade de integrar os saberes.

Em relação a estas duas aprendizagens, é interessante notar que fazem parte das condições necessárias a qualquer fenómeno criativo, como estudado por Mihaly Csikszentmihalyi (Creativity: Flow and the Psychology of Discovery and Invention).

· competências de organização da informação para a transformar em conhecimento. Para Roldão, esta será a grande discriminação do futuro, substituindo a discriminação sócio-económica. Perante a massa de informação disponível, ganhará quem tiver os instrumentos que permitirão o uso eficaz do saber.

Desta forma, apresenta-nos também uma nova definição da missão da escola: já não a de divulgadora de informação, pois essa função não lhe pertence exclusivamente, mas a de fornecer meios enquadradores do conhecimento e produzir instrumentos de construção do conhecimento (ex.: competências de análise, de estudo, de construção e organização do conhecimento).

De seguida, somos alertados para a distinção entre programa e currículo. Nas suas palavras: «os programas são instrumentos do currículo», «têm uma função instrumental», são um «conjunto de instruções», «uma previsão de organização (...) de conteúdos ou de competências». Não se cumpre o programa, mas sim concretizam-se as aprendizagens previstas. Esta sobreposição de conceitos também é constatada por Pacheco (Currículo: Teoria e Práxis, p.16), que identifica-a como uma tradição latino-europeia que assume o currículo como um programa «muito estruturado e organizado na base de objetivos, conteúdos e atividades e de acordo com a natureza das disciplinas».

Quando penso na minha experiência enquanto professor no ensino formal, lembro-me imediatamente da forma como era um programa, no sentido de um conjunto mais ou menos circunscrito de conteúdos, que se transvestia de currículo e deixava, dessa forma, pouco claro qual a aprendizagem essencial a ser alcançada.






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