Rescaldo do debate - "A classificação não faz sentido no ensino de música"
Estando na barricada da tese e até pelo resultado da votação final, tendo a acreditar que os argumentos e ideias apresentados para pôr em causa o uso da classificação no ensino musical foram claros e convincentes. Seria necessário muito mais tempo, isso sim, para podermos desmontar, um a um, os argumentos do grupo da antítese. Um dos que mais gostaria ter discutido: a "competitividade natural". Talvez nos levasse a um debate darwinista no qual argumentaria com o imaginário da cooperação.
Tal como no primeiro debate, houve uma ligeira tendência para alguma confusão conceptual e para uma aproximação, a meu ver, exagerada, àquilo que têm sido as experiências pessoais de cada um dos alunos (especialmente o foco no tema "concursos"). Exagerada porque pareceu-me que impedia uma clarificação daquilo que verdadeiramente será desejável no ensino da música - um ensino de máxima qualidade, para todos, e não apenas para aqueles que querem ser músicos (no debate, músicos intérpretes, entenda-se, e circunscritos apenas à estética "erudita" - tudo isto, só por si, redutor). Além de me custar imenso ouvir qualquer ideia que associe o fazer musical constantemente com competição, ou motivação extrínseca que se alimente dessa competição.
Não sou, contudo, ingénuo. Conheço bem o meio musical erudito, o mundo das competições musicais (sob todas as suas formas) e a forma como isso tem moldado o ensino e as mentalidades. Infelizmente, ainda continuarão vivas.
Farei a minha parte, agora com um "argumentário" na algibeira bem mais poderoso.
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