Entrada “Webinar - Aprendizagens essenciais”
Tópicos abordados:
Emagrecimento
curricular; Aprendizagem Essencial, Relação PASEO, Disciplina -
Interdisciplinaridade.
Peralta
começa por avançar com uma ideia que compartilho: a de que a existência de um
programa detalhado, que tem vindo a crescer desmesuradamente, permite uma
leitura de desconfiança no professor, por parte do poder central. Retira, dessa
forma, a liberdade, ao professor e transforma-o num mero executor.
Portanto,
qualquer mudança no paradigma curricular só poderá concretizar-se acompanhada
de uma mudança da atitude perante o professor, confiando e dando-lhe liberdade,
autonomia e espaço criativo - um aproximar a uma teoria crítica - , o mesmo é
dizer, uma mudança na conceção das aprendizagens essenciais precisa de uma
mudança proporcional na mesma direção dos agentes políticos - o terminar de um
paternalismo governamental que tresanda aos hábitos políticos portugueses do
século passado.
Por outro
lado, esse enorme programa e esforço por o “cumprir” retira o foco daquilo que
são os processos de ensino e das capacidades cognitivas necessárias,
empobrecendo o currículo, em vez de o enriquecer, pois quanto mais vasto e
detalhado é esse programa, mais básicos são os processos cognitivos utilizados.
A definição
daquilo que são aprendizagens essenciais justifica-se também face à quantidade
enorme de novo conhecimento que é produzido e da assimilação feita pelo
currículo escolar de todo o tipo de conhecimento que provêm da sociedade e das
suas alterações, que obrigam, dessa forma, a um processo seletivo, de
emagrecimento, que «retira o que é supérfulo e reforça o que é necessário».
Para
definir as aprendizagens essenciais, substituindo uma ideia de
“enciclopedismo”, é necessário perceber as «finalidades formativas» e responder
às perguntas “Porquê?” e “Para quê?”. Para a definição daquilo que é essencial,
Roldão dá-nos as seguintes linhas:
·
O que define/estrutura um campo de saber;
· Os
conhecimentos/conceitos e os processos cognitivos essenciais para o seu acesso;
· O que
permite a progressão para aprendizagens mais complexas, dentro desse campo do
saber;
·
O que é passível de ser usado e a capacidade de transferibilidade
e interdisciplinaridade.
Em relação
ao Perfil do Aluno, Roldão alerta para um ponto essencial: não é através dos
conteúdos, mas sim pelas ações que se desenvolvem que se chegará ao Perfil. A
forma como cada professor desenvolve as suas “matérias” e organiza as suas
tarefas deve ter em conta cada aluno e a forma como o pode ajudar a desenvolver
as competências desenhadas pelo Perfil, terminando com um sistema meramente
declamativo-recetivo, passando para um sistema crítico-colaborativo.
«Avaliar bem é avaliar o que se
aprendeu e a capacidade de usar o que se aprendeu»
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